já nem sei onde estou.
Levanto pra fumar um cigarro e fumo dois, queria uma água, mas busquei, em vão, o uísque que a muito eu sei não esta lá. Me contento então com meus cigarros e um chá verde bem industrializado. Penso na minha vida e não concluo nada. Não sei o que eu sou, não sei o que eu quero, quase não lembro do que já fui. Me pego sem saber o que eu realmente sinto, se estou triste, se quero estar triste ou se simplesmente desaprendi a ficar triste, essa última alternativa me parece mais razoável, não lembro a ultima vez que derramei mais que uma única lagrima. Não cogito a possibilidade de estar feliz, esse sentimento eu conheço muito bem e nunca foi assim. Talvez essa aflição que me percorre todas as noites solitárias dos últimos dias seja uma tristeza sufocada pela necessidade de força que por algum motivo me obriguei a ter, sinto como se quisesse chorar e não conseguisse, como se precisasse de algo e não soubesse o que é. Agora tenho quase certeza de que meu sentimento é a tristeza, uma tristeza que, de tanto ficar escondida, bem ali no fundo, acabou por escapar, abandonando no caminho seus motivos e me deixando completamente desorientado, virando quase outro sentimento. Um sentimento de vazio, como alguém que apenas sente amor, sem saber por quem ou o que, e não consegue amar por não ter a quem amar. Sinto vontade de chorar, sei que quero chorar mas não encontro um motivo pro choro e, entretido na busca, esqueço porque decidi procurar…
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