terça-feira, 28 de junho de 2011

Noite.

Chega sábado, a noite cai e as luzes se acendem nos espelhos. O rosto pintado e as expressões vagas, a boca vermelha pronta para manter-se intacta e quieta, o lápis risca os negros olhos azuis enquanto esperam avidamente a novidade do cotidiano. La se vê sempre as mesmas caras, são pessoas diferentes com rostos iguais, feições unicas escondidas atrás da mesma cortina de tinta, cor e futilidade.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Em um passado remoto perdi meu controle

Posto hoje essa musica que já não faz sentido nenhum pra mim e na verdade nunca teve tempo de fazer, mas ontem quando a ouvi pela primeira vez fui puxado de volta no tempo com a sensação de que estas palavras deveriam ter saido da minha boca. senti a necessidade de expor aqui retroativamente, retrospectivamente e nostálgicamente essa letra. (:

Não quero sugar todo o seu leite
Nem quero você enfeite do meu ser
Apenas te peço que respeite
O meu louco querer

Não importa com quem você se deite
Que você se deleite seja com quem for
Apenas te peço que aceite
O meu estranho amor

| Ah! Mãinha
| Deixa o ciúme chegar
| Deixa o ciúme passar
| E sigamos juntos
| Ah! Neguinha
| Deixa eu gostar de você
| Pra lá do meu coração
| Não me diga nunca não

Teu corpo combina com meu jeito
Nós dois fomos feitos muito pra nós dois
Não valham dramáticos efeitos
Mas o que está depois

Não vamos fuçar nossos defeitos
Cravar sobre o peito as unhas do rancor
Lutemos, mas só pelo direito
Ao nosso estranho amor

Caetano Veloso, Nosso Estranho amor

terça-feira, 17 de maio de 2011

Alegria Abafada

O som atravessava a janela aberta e enchia a sala, era suave e harmônico, um belo samba canção. Não era a primeira vez que eu o ouvia, à vários dias essas musicas, vindas de algum apartamento vizinho, me aqueciam nas tardes frias, tão baixinhas que pareciam tocadas pelo vento, a trilha sonora da cidade era sempre um samba canção. Busquei meu maço de cigarros na mesa e caminhei até a varanda na tentativa de descobrir de qual janela vinha essa música que me despertava tamanha atração porém fui surpreendido por uma voz doce, ingênua e afinada que entoava junto à canção.

Podia ver o disco rodando na vitrola e, junto dele, rodava uma moça de vestido solto e colorido, suas longas pernas de louça dançando lentamente enquanto seus cabelos negros balançavam suavemente, tocando sua pele morena na altura dos ombros desnudos, os olhos verdes, penetrantes e sinceros me fitando na poltrona, ao passo que sua boca vermelha me desafiava com sua voz atraente misturando timidez e curiosidade:

- Garanto que não sabes sambar...